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Por que cultuamos todos os domingos?
Nem sempre chegamos ao domingo em clima de festa. Às vezes, a semana foi difícil. Há cansaço, preocupações, conflitos, pecados ocultos e orações não respondidas. Mesmo assim, Deus nos convoca para o culto. Mas por quê respondemos o chamado? Não nos reunimos apenas porque gostamos da música, das pessoas ou por mero costume. Nós cultuamos porque precisamos nos lembrar. No livro de Ester, depois de serem livrados da destruição, os judeus instituíram a festa do Purim. Todos os anos, eles deveriam interromper sua rotina, reunir-se, festejar e contar novamente a história do livramento. A festa se tornou um memorial. Isso…
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Obediência que não compra nada
É possível obedecer a Deus de maneira errada. Isso soa estranho, mas é verdade. Nem toda obediência exterior nasce do amor e da gratidão. Às vezes, ela nasce do medo, da vaidade ou da tentativa de provar alguma coisa. O legalismo não costuma aparecer dizendo: “eu não preciso de Cristo”. Ele aparece de modo mais sutil, por exemplo, quando medimos nossa aceitação diante de Deus pelo nosso desempenho espiritual, quando servimos para sermos vistos, quando nos sentimos superiores porque não cometemos os pecados dos outros ou mesmo quando corrigimos nossos filhos mais preocupados com nossa imagem do que com a…
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Quando o mundo não gira ao nosso redor
Muitas vezes, nossas aflições não vêm apenas das circunstâncias difíceis, mas do modo como interpretamos tais circunstâncias. Ficamos frustrados porque nossos planos não se realizam. Lamentamos porque não somos reconhecidos. Desabamos quando alguém nos critica. Mas, em última instância, o problema é que a vida não se curva aos nossos desejos. Então murmuramos, endurecemos o coração e perguntamos: “Por que isso está acontecendo comigo?” Esse é um dos sinais do orgulho: nós nos colocamos no centro da nossa própria história. O orgulhoso não sofre apenas porque algo deu errado; ele sofre porque o mundo não confirmou sua importância. Ele quer…
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O tratado de paz com o invasor
É um fato inescapável da nossa condição deste lado da eternidade: nós pecamos. Todos nós ainda tropeçamos diariamente. Mas há uma diferença entre sairmos feridos de uma batalha contra a nossa carne e assinarmos um tratado de paz com o inimigo. O problema é que, muitas vezes, ficamos confortáveis demais com o nosso pessoal. Transformamos a teologia da graça em um sofá, onde repousamos com tranquilidade diante das nossas próprias iniquidades. Como o nosso coração constrói essa trégua? Ele usa um verniz teológico. A nossa carne sequestra a ortodoxia, instrumentaliza as doutrinas da graça e sussurra: “Se a justificação é…
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Terceirizando a obediência
“Pastor, eu não tenho certeza se Deus quer que eu me envolva nisso.” Nós usamos muito essa frase. O casamento está por um fio e precisamos sentar para uma conversa difícil, mas dizemos que estamos “esperando o tempo de Deus”. Vemos um irmão em pecado na igreja, mas dizemos que “não temos o chamado para exortar” e que “vamos deixar o Espírito Santo convencê-lo”. Um colega de trabalho desabafa sobre o caos na família dele, damos um sorriso compreensivo, prometemos orar por ele, mas não abrimos a boca para falar do pecado e da cruz. Dizemos que estamos aguardando a…
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A matemática mentirosa e o coração de Cristo
Aconteceu de novo. Você pediu perdão ontem à noite. Foi sincero, sentiu o peso do erro e prometeu que não faria de novo. Mas hoje, lá estava você, cedendo à mesma falha. É nessa hora que uma voz sussurra na sua cabeça uma matemática inquestionável: “Deus perdoa, claro, mas a paciência dele tem limite. Você já gastou a sua cota. A sua teimosia finalmente encheu o copo.” Nós acreditamos nessa mentira com facilidade porque medimos o céu com a nossa régua. Como nós perdemos a paciência rápido com quem errou repetidas vezes conosco, assumimos que Deus opera na mesma base…
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A teologia que não desce para o coração
Nós, cristãos reformados, gostamos de sermões densos. Gostamos de usar os termos corretos. Sabemos explicar, com precisão cirúrgica, a diferença entre justificação e santificação. Isso é excelente. A clareza doutrinária é vital para a saúde da igreja. Mas há um perigo sutil e devastador rondando os nossos bancos: o cristianismo meramente intelectual. É o abismo trágico entre ter a mente cheia de ortodoxia e o coração vazio de confiança real em Deus. O apóstolo Paulo nos ensina em Romanos 5 que “justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus”. A justificação é uma doutrina majestosa. Mas eu pergunto: de…
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O perigo de criar filhos para a Pérsia
Todo pai e toda mãe quer o melhor para os seus filhos. Queremos que eles tenham segurança, estabilidade, saúde e um bom futuro. Queremos que passem no vestibular, que consigam um bom emprego, que não passem pelas mesmas privações que talvez nós tenhamos passado. Esse instinto protetor é natural. Contudo, há um perigo quando o desejo pela segurança e pelo sucesso dos nossos filhos se torna o ídolo que governa a forma como os criamos. No capítulo 2 do livro de Ester, nós conhecemos Mordecai. Ele adotou a sua prima, Ester, que era órfã, e cuidou dela com devoção. Quando…
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A síndrome de Paris e o rei desesperado
Há uma condição psicológica curiosa que afeta alguns turistas desavisados, conhecida como “Síndrome de Paris”. A pessoa viaja para a França esperando encontrar a Cidade Luz dos filmes, repleta de romance, cores e música clássica tocando ao fundo. Quando chega lá, depara-se com uma metrópole cinza, trânsito caótico e calçadas que exigem atenção constante. O choque entre a fantasia idealizada e a realidade crua é tão grande que alguns turistas chegam a adoecer fisicamente. Toda aquela beleza era, em grande parte, apenas maquiagem. Nós vemos um caso clássico dessa “síndrome” logo no primeiro capítulo do livro de Ester. O imperador…
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A ilusão da evidência e a graça da missão
É comum pensarmos que o grande obstáculo para a conversão das pessoas é a falta de provas. Imaginamos que, se Deus apenas rasgasse os céus, enviasse fogo ou permitisse que um milagre inegável fosse registrado com clareza, o mundo cairia de joelhos. O relato de Mateus 28, no entanto, expõe o quanto essa ideia é ingênua e distante da realidade bíblica. Pense nos guardas romanos. Eles sentiram a terra tremer. Viram um anjo descer e remover a pedra. Ficaram como mortos diante do sobrenatural. A evidência estava ali, irrefutável e ofuscante. E o que eles fizeram com ela? Venderam-na por…
