Muitas vezes, nossas aflições não vêm apenas das circunstâncias
difíceis, mas do modo como interpretamos tais circunstâncias. Ficamos
frustrados porque nossos planos não se realizam. Lamentamos porque não
somos reconhecidos. Desabamos quando alguém nos critica. Mas, em última
instância, o problema é que a vida não se curva aos nossos desejos.
Então murmuramos, endurecemos o coração e perguntamos: “Por que isso
está acontecendo comigo?” Esse é um dos sinais do orgulho: nós nos
colocamos no centro da nossa própria história. O orgulhoso não sofre
apenas porque algo deu errado; ele sofre porque o mundo não confirmou
sua importância. Ele quer ser visto, honrado, lembrado, obedecido. E,
quando isso não acontece, sua paz desaparece. O resultado é desastroso:
“a soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda” (Pv
16.18).
O orgulho raramente se apresenta como orgulho. Muitas vezes ele
aparece como mágoa, autopiedade, ressentimento, necessidade de controle,
comparação, melindre. Vestimos nossa vaidade com roupas mais aceitáveis.
Dizemos que estamos apenas feridos, esquecidos, incompreendidos. E
talvez, em alguma medida, estejamos mesmo. Mas a Palavra de Deus nos
chama a examinar o coração: por que isso me feriu tanto? O que eu
esperava receber? Que honra eu acho que me foi negada? O problema é que,
quando nos colocamos no centro, até as misericórdias de Deus parecem
insuficientes. Recebemos cuidado, pão, perdão, igreja, Palavra, família,
sustento, mas uma única frustração basta para nos fazer esquecer tudo.
Como Hamã, podemos ter quase tudo e ainda assim perder a paz porque uma
coisa não saiu como queríamos.
Contudo, Deus não governa a história para a nossa glória. Ele governa
para a sua própria glória. Isso não diminui o seu cuidado por nós; pelo
contrário, é justamente porque Deus zela pelo seu nome que ele preserva
o seu povo, cumpre suas promessas e conduz todas as coisas para o bem
daqueles que o amam. Até mesmo a aflição pode ser instrumento de graça.
Deus pode usar frustrações, perdas, críticas e esperas para nos libertar
da necessidade de sermos honrados. Ele nos ensina a dizer com João
Batista: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). O nosso
descanso só começa quando deixamos de exigir que a história gire ao
nosso redor e aprendemos a confiar naquele que governa todas as coisas.
Cristo é o Homem a quem Deus se agradou em honrar. Ele se humilhou,
morreu e foi exaltado acima de todo nome. E se pertencemos a ele, não
precisamos lutar por nossa própria glória. Podemos esperar em paz,
sabendo que Deus não esquece o seu povo.


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