Nem sempre chegamos ao domingo em clima de festa. Às vezes, a semana
foi difícil. Há cansaço, preocupações, conflitos, pecados ocultos e
orações não respondidas. Mesmo assim, Deus nos convoca para o culto. Mas
por quê respondemos o chamado? Não nos reunimos apenas porque gostamos
da música, das pessoas ou por mero costume.
Nós cultuamos porque precisamos nos lembrar. No
livro de Ester, depois de serem livrados da destruição, os judeus
instituíram a festa do Purim. Todos os anos, eles deveriam interromper
sua rotina, reunir-se, festejar e contar novamente a história do
livramento. A festa se tornou um memorial. Isso nos ensina algo sobre
nós mesmos: somos esquecidos. Uma nova aflição aparece, e começamos a
agir como se Deus nunca tivesse sido fiel. Por isso, precisamos ouvir de
novo. Todo domingo, Deus reúne o seu povo, sua Palavra é lida, seu
perdão é declarado e somos lembrados que Cristo venceu.
O culto também é descanso. Não significa que todas
as nossas dificuldades desapareceram. Ainda haverá trabalho,
responsabilidades, tentações e aflições. Mas, no Dia do Senhor,
interrompemos nossa rotina para descansar na obra que Cristo já
realizou. Não nos aproximamos de Deus tentando conquistar sua aceitação.
Cristo carregou nossa culpa, removeu nossa condenação e nos deu paz com
Deus. Antes de começarmos mais uma semana de trabalho, somos lembrados
de que nossa salvação não depende da nossa produtividade, mas da obra
completa de Jesus.
O culto também antecipa o futuro. Ainda vivemos num
mundo quebrado, sujeitos ao pecado, às injustiças, às doenças e à morte.
Mas, quando a igreja se reúne, ela declara publicamente que Jesus Cristo
é o Rei. Ele ressuscitou, reina e voltará. Em cada culto, provamos
antecipadamente algo daquilo que viveremos para sempre: reunimo-nos com
nossos irmãos, cantamos diante de Deus, ouvimos sua voz e participamos
do banquete da aliança.
É por isso que o culto não deve ser tratado como algo descartável.
Quando deixamos de congregar por qualquer motivo, afastamo-nos dos meios
pelos quais Deus sustenta nossa fé, corrige nosso esquecimento e
alimenta nossa esperança. Nem sempre chegaremos ao domingo em clima de
festa. Mas não cultuamos porque a semana foi boa. Cultuamos porque
Cristo é bom. Nós nos reunimos porque Cristo venceu, porque nele
encontramos descanso e porque aguardamos sua volta. O mundo
continua quebrado lá fora. Mas hoje estamos em festa.


Deixe um comentário