Há uma condição psicológica curiosa que afeta alguns turistas
desavisados, conhecida como “Síndrome de Paris”. A pessoa viaja para a
França esperando encontrar a Cidade Luz dos filmes, repleta de romance,
cores e música clássica tocando ao fundo. Quando chega lá, depara-se com
uma metrópole cinza, trânsito caótico e calçadas que exigem atenção
constante. O choque entre a fantasia idealizada e a realidade crua é tão
grande que alguns turistas chegam a adoecer fisicamente. Toda aquela
beleza era, em grande parte, apenas maquiagem.
Nós vemos um caso clássico dessa “síndrome” logo no primeiro capítulo
do livro de Ester. O imperador Assuero (ou Xerxes) decidiu dar um
banquete de cento e oitenta dias. Seis meses de festa. O objetivo era
puramente vaidade: exibir as riquezas da glória do seu reino e o
esplendor da sua grandeza para impressionar seus súditos e nobres. O
palco era impecável, com colunas de mármore, taças de ouro e vinho à
vontade. Era a política do pão e circo, criada para captar o senso
religioso do coração humano que sempre busca algo grandioso para
adorar.
No entanto, nos bastidores dessa ostentação, o rei estava nu. No
sétimo dia de uma segunda festa, já alterado pelo vinho, Assuero tentou
exibir sua esposa, a rainha Vasti, como mais um troféu de sua coleção.
Ela se recusou. Diante de todo o império, o homem que governava cento e
vinte e sete províncias levou um sonoro “não” dentro de casa. E qual foi
a reação do homem mais poderoso do mundo? Um desespero cômico. Ele
convocou seus conselheiros e emitiu um decreto estatal irrevogável,
traduzido para todas as línguas do império, exigindo que “cada homem
fosse senhor em sua casa”. Aquele que parecia ter o controle de tudo
tentou resolver uma crise familiar na base da canetada
governamental.
Nós vivemos em um mundo muito parecido com a Pérsia de Assuero.
Estamos no exílio, cercados por uma cultura que valoriza a pompa, o
poder e a glória passageira. E a tentação de sermos assimilados por essa
ilusão é diária. Nós vemos isso na obsessão contemporânea por exibir uma
vida perfeita nas redes sociais, escondendo a louça suja e os
relacionamentos fragmentados atrás de filtros fotográficos. Vemos isso
na idolatria do consumo, onde comprometemos o orçamento por anos para
financiar um carro que não podemos pagar, apenas para impressionar
pessoas que não se importam conosco. Buscamos segurança em contas
bancárias, diplomas e status, esquecendo-nos do que Paulo nos adverte:
quando adoramos coisas criadas e fúteis, nós mesmos nos tornamos nulos
(Romanos 1.21). Toda essa glória é apenas aparência. Nenhuma riqueza
cura falhas de caráter, e nenhum decreto político resolve a miséria do
coração humano.
A boa notícia é que, mesmo no exílio, nós pertencemos a um Rei
infinitamente superior. Jesus Cristo não governa pela força bruta, nem
precisa de festas extravagantes para mascarar inseguranças. Ele é um rei
que não humilha a sua noiva para se exibir, mas que entregou a própria
vida para lavá-la, purificá-la e apresentá-la santa perante o Pai.
Avalie o seu coração nesta semana. Onde você tem depositado a sua
confiança e o seu desejo por glória? Não troque a realidade sólida do
Reino de Deus pela maquiagem barata deste mundo.


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