Nós, cristãos reformados, gostamos de sermões densos. Gostamos de
usar os termos corretos. Sabemos explicar, com precisão cirúrgica, a
diferença entre justificação e santificação. Isso é excelente. A clareza
doutrinária é vital para a saúde da igreja. Mas há um perigo sutil e
devastador rondando os nossos bancos: o cristianismo meramente
intelectual. É o abismo trágico entre ter a mente cheia de ortodoxia e o
coração vazio de confiança real em Deus.
O apóstolo Paulo nos ensina em Romanos 5 que “justificados, pois,
mediante a fé, temos paz com Deus”. A justificação é uma doutrina
majestosa. Mas eu pergunto: de que adianta você saber explicar os
detalhes da imputação da justiça de Cristo se, na segunda-feira, você
acorda esmagado pela culpa? De que serve a sua teologia se você continua
tentando provar o seu valor para as pessoas e vivendo na angústia, como
se a sua aceitação diante de Deus dependesse do seu desempenho?
Se a sua teologia não serve para ancorar a sua alma no dia da crise,
ela não passa de um passatempo acadêmico. Nós corremos o sério risco de
nos tornarmos peritos em corrigir os erros teológicos dos outros na
internet, enquanto, na nossa vida privada, vivemos como órfãos
apavorados. Paulo diz em Romanos 5.5 que o amor de Deus “foi
derramado em nosso coração pelo Espírito Santo”. Ele não diz que
foi apenas catalogado no nosso cérebro. A cruz não é apenas uma teoria
sobre a expiação para você estudar; é o lugar onde o seu orgulho é
quebrado e onde o seu descanso definitivo é comprado.
O verdadeiro conhecimento de Deus não incha a nossa mente com
arrogância. Ele esmaga o nosso ego, nos leva ao arrependimento e nos faz
descansar. Se o que você tem lido e ouvido não tem lhe trazido mais amor
por Cristo, mais paciência com os seus irmãos e uma paz inabalável na
consciência, é hora de avaliar o seu coração. A doutrina correta, sem a
confiança prática, é apenas ortodoxia morta. Que o Senhor nos livre da
terrível ironia de saber tudo sobre um Deus em quem, no fundo, nós não
descansamos.


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