É possível obedecer a Deus de maneira errada. Isso soa estranho, mas
é verdade. Nem toda obediência exterior nasce do amor e da gratidão. Às
vezes, ela nasce do medo, da vaidade ou da tentativa de provar alguma
coisa.
O legalismo não costuma aparecer dizendo: “eu não preciso de Cristo”.
Ele aparece de modo mais sutil, por exemplo, quando medimos nossa
aceitação diante de Deus pelo nosso desempenho espiritual, quando
servimos para sermos vistos, quando nos sentimos superiores porque não
cometemos os pecados dos outros ou mesmo quando corrigimos nossos filhos
mais preocupados com nossa imagem do que com a alma deles. Assim,
tornamos a vida cristã uma escada de mérito.
A lei de Deus é santa, justa e boa. Ela revela a vontade do Senhor.
Mas ela não pode nos justificar, nem pode mudar nosso coração por si
mesma. Ela mostra onde estamos tortos, mas não nos endireita. Ela
denuncia nosso pecado, mas não nos dá vida. Por isso, a nossa esperança
não está em nossa obediência, mas em Cristo. Ele cumpriu a lei por nós.
Ele sofreu a maldição que nossos pecados mereciam. Ele ressuscitou
dentre os mortos e nos uniu a si mesmo, para que pertencêssemos a ele e
déssemos fruto para Deus.
A obediência cristã não é uma tentativa de comprar o favor divino.
Nós não obedecemos para sermos aceitos; obedecemos porque, em Cristo, já
fomos aceitos. Não servimos para provar que pertencemos a Deus; servimos
porque Cristo nos fez seus. Essa é a diferença entre o peso do legalismo
e a liberdade da graça. A graça não nos torna indiferentes à obediência.
Ela nos liberta da condenação para servirmos a Deus em novidade de vida,
pelo poder do Espírito Santo.
Examine seu coração. Sua obediência tem sido uma resposta de amor ou
uma tentativa de autojustificação? Você tem servido como filho amado ou
como alguém tentando conquistar um lugar na casa? E lembre-se: em
Cristo, já não há condenação. E por isso podemos obedecer sem medo
servil, servir sem vaidade e lutar contra o pecado sem tentar comprar o
amor de Deus. A lei mostra o que Deus requer; Cristo nos liberta; o
Espírito nos capacita.


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