Todo pai e toda mãe quer o melhor para os seus filhos. Queremos que
eles tenham segurança, estabilidade, saúde e um bom futuro. Queremos que
passem no vestibular, que consigam um bom emprego, que não passem pelas
mesmas privações que talvez nós tenhamos passado. Esse instinto protetor
é natural. Contudo, há um perigo quando o desejo pela segurança e pelo
sucesso dos nossos filhos se torna o ídolo que governa a forma como os
criamos.
No capítulo 2 do livro de Ester, nós conhecemos Mordecai. Ele adotou
a sua prima, Ester, que era órfã, e cuidou dela com devoção. Quando
Ester é levada para o harém do rei Assuero — uma situação moralmente
terrível e humilhante —, Mordecai dá a ela uma ordem expressa: “Não
revele a ninguém o seu povo e a sua linhagem” (Et 2.10).
Mordecai não era um vilão malvado. Ele era apenas um pai preocupado.
Ele conhecia a hostilidade do império persa e raciocina de forma
pragmática: “Se ela disser que é do povo de Deus, vai sofrer
preconceito. Pode ser prejudicada. Pode até correr risco de vida. É
melhor se camuflar e jogar o jogo deles.” Em sua ânsia de proteger
a menina, Mordecai sacrificou a identidade pactual dela no altar da
segurança física e social. Ele preferiu uma filha segura, coroada e bem
alimentada na Pérsia, a uma filha fiel a Deus, porém vulnerável.
Muitos de nós sofremos dessa mesma “Síndrome de Mordecai”. Nós não
dizemos aos nossos filhos para negarem a fé em voz alta, mas ensinamos
isso na prática. É o que acontece quando tiramos nossos filhos da Escola
Dominical ou dos cultos porque eles “precisam muito estudar”. É o que
acontece quando passamos a mão na cabeça de seus pecados ou toleramos
suas amizades mundanas porque não queremos que eles sejam “excluídos” na
escola. É o que acontece quando a nossa maior exigência sobre eles é o
boletim escolar, enquanto a vida de oração é tratada como algo opcional.
Nós permitimos namoros e casamentos mistos porque “não queremos parecer
radicais”.
No fim das contas, estamos criando nossos filhos para serem
bem-sucedidos na Pérsia, esquecendo-nos de que a Pérsia não vai durar.
A maior tragédia de um lar cristão não é um filho que não fez
faculdade ou que ganha pouco. A maior tragédia é um filho que ganha o
mundo inteiro, mas perde a sua alma.
Não crie seus filhos para se camuflarem no império. Ensine-os que a
única segurança verdadeira que existe não está em evitar o conflito com
o mundo, mas em estar unido a Cristo. Que o Senhor nos dê coragem para
sermos pais que preparam seus filhos não para agradar aos reis desta
terra, mas para o encontro glorioso com o verdadeiro Rei.


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