Você sabe a diferença entre estar arrependido e sentir remorso? O
remorso é aquilo que vemos nos noticiários policiais: o criminoso
esconde o rosto, envergonhado. Ele não está triste pelo erro em si, mas
pelas consequências de ter sido descoberto. É como a criança que pede
desculpas apenas porque foi pega no flagra. Se ninguém tivesse visto, o
erro continuaria.
O arrependimento bíblico, contudo, é de outra natureza. Em Mateus 3,
João Batista clama no deserto: “Arrependei-vos, porque está próximo
o reino dos céus”. A palavra grega implica uma mudança de mente,
mas o conceito bíblico completo envolve uma mudança de direção, de
atitude e de afetos. O verdadeiro arrependido não lamenta apenas a
punição; ele lamenta ter ofendido a Deus.
João Batista foi duro com os religiosos de sua época, que buscavam o
batismo apenas como um rito externo, sem mudança interna. Ele exigiu
“frutos dignos de arrependimento”. Não basta ter “filiação” a
Abraão (ou, em nossos dias, ter o nome no rol de membros há anos); é
necessário que a vida evidencie a transformação operada pelo Espírito
Santo. Como nos ensina o Catecismo Maior, o arrependimento para a vida
envolve odiar o pecado e correr para a misericórdia de Deus.
E onde encontramos essa misericórdia? Naquele que João anunciou.
Jesus, embora não tivesse pecado algum, foi ao Jordão ser batizado para
“cumprir toda a justiça”. Ele se identificou conosco,
pecadores, para ser o nosso Substituto perfeito. Naquele momento, a
Trindade Santíssima testificou: o Pai falou, o Espírito desceu e o Filho
obedeceu.
Cristo já inaugurou o Seu Reino. A “pá” já está em Sua mão para a
colheita. Ele traz salvação ao trigo, mas juízo à palha. Portanto, não
confunda a tristeza do mundo (remorso) com a tristeza segundo Deus
(arrependimento). Não espere ser “pego” pelo juízo final. Enquanto há
tempo, corra para Cristo. Confesse seus pecados não para se justificar,
mas para ser lavado por Aquele que nos batiza com o Espírito Santo e nos
garante a vida eterna.
Rev. Weinne


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