Ao olharmos para os primeiros dias da vida de nosso Senhor Jesus,
somos confrontados com uma realidade muitas vezes esquecida: o Evangelho
incomoda. Em Mateus 2, vemos que a chegada do Rei Jesus provocou não
apenas adoração nos magos, mas um ódio mortal em Herodes.Essa narrativa
nos ensina três verdades fundamentais para nossa caminhada cristã
enquanto peregrinos neste mundo.
Primeiro, a oposição faz parte do plano soberano de
Deus. A fuga para o Egito, no meio da noite, não foi um
improviso divino diante da fúria de Herodes. Foi o cumprimento das
Escrituras. Do mesmo modo que Deus chamou Israel do Egito, Ele chamou o
Seu Filho perfeito para refazer o caminho do Seu povo, mas agora em
perfeita obediência. O Senhor não foi pego de surpresa pela maldade
humana; pelo contrário, Ele a utilizou para preservar a vida do Messias
e cumprir a Sua Palavra. Isso deve nos dar segurança: as crises que
enfrentamos, por mais assustadoras que pareçam, não escapam ao controle
daquele que governa a História.
Segundo, vivemos em um mundo caído e hostil. O choro
de Raquel por seus filhos (Jr 31.15) ecoa a dor real da maldade neste
século. Herodes, em sua crueldade, nos lembra que o mundo jaz no maligno
e que o Evangelho frequentemente será recebido com hostilidade. Não
devemos nos iludir esperando aplausos de uma cultura que rejeita o
Criador. Contudo, nossa esperança não está na bondade dos governantes
deste mundo, mas na Nova Aliança que Cristo veio inaugurar.
Por fim, aprendemos que a vitória de Cristo se manifesta na
fraqueza. Jesus voltou do Egito não para um palácio em
Jerusalém, mas para Nazaré, uma cidade desprezada, para ser chamado de
“Nazareno”. O Rei do Universo escolheu ser marginalizado. A vitória de
Deus não veio através da força política ou militar, mas através da
humilhação, do desprezo e, finalmente, da cruz. Herodes morreu e seu
reino passou; Cristo vive e Seu Reino é eterno.
Meus irmãos, talvez vocês estejam enfrentando oposições, angústias ou
a sensação de que o mal prevalece. Lembrem-se de que, antes da fundação
do mundo, o Filho concordou em passar por tudo isso — ser perseguido,
fugir, ser desprezado como um Nazareno — por amor a nós.Se o Senhor
cuidou de Seu Filho em meio à fúria de um tirano, certamente cuidará de
sua Igreja hoje. Descansem na soberania dAquele que transforma a
perseguição em testemunho e a fraqueza em glória.


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