“Pastor, eu não tenho certeza se Deus quer que eu me envolva
nisso.”
Nós usamos muito essa frase. O casamento está por um fio e precisamos
sentar para uma conversa difícil, mas dizemos que estamos “esperando o
tempo de Deus”. Vemos um irmão em pecado na igreja, mas dizemos que “não
temos o chamado para exortar” e que “vamos deixar o Espírito Santo
convencê-lo”. Um colega de trabalho desabafa sobre o caos na família
dele, damos um sorriso compreensivo, prometemos orar por ele, mas não
abrimos a boca para falar do pecado e da cruz.
Dizemos que estamos aguardando a direção divina. Mas, na verdade, não
somos tão piedosos assim. Não somos crentes super-espirituais aguardando
Deus falar. Somos apenas covardes. Usamos a soberania de Deus como
desculpa para o nosso comodismo e para a nossa idolatria do conforto.
Nós vemos grandes histórias bíblicas e queremos ver Deus agir como no
Êxodo, mas odiamos o desconforto de sermos os instrumentos de Deus na
vida real. E muitas vezes pensamos que Deus irá nos avisar por meio de
um sinal luminoso no céu quando for a hora de agirmos, esperando que
isso nos poupe do trabalho de aprender como aplicar a sua Palavra já
revelada.
Ester não teve letreiro luminoso no céu. Ela era uma jovem assustada
num império pagão. ela tinha muito a perder. Ela não tinha um manual de
instruções e nem certeza do resultado. Mas ela disse: “Se eu tiver
de morrer, morrerei”. Confrontada pela calamidade iminente do seu
povo, ela entendeu uma doutrina básica que nós costumamos esquecer: o
lugar onde você está é o campo onde a sua obediência deve ser exercida.
Deus não precisa de você para salvar o Seu povo, proteger a Sua igreja
ou resgatar a sua família. Ele fará isso com ou sem a sua ajuda. Mas a
providência divina não comete erros geográficos. Ele plantou você na sua
casa, na sua profissão e na cidade de Goiânia com um propósito.
O chamado já foi feito e a vontade de Deus já está claramente
revelada na Escritura. Não espere um raio cair do céu. Se a crise
estourou na sua frente, o problema não é do vizinho. A pessoa certa, no
lugar certo, é você. O verdadeiro Mediador já cravou na cruz o decreto
que o condenava; portanto, justificado e seguro nEle, levante-se amanhã,
abandone as desculpas piedosas e faça o que precisa ser feito.


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