É comum pensarmos no apóstolo Paulo como uma figura intocável,
pairando acima das realidades cotidianas. Mas a verdade é que ele era um
homem profundamente imerso no seu tempo. Ele possuía uma excelente
educação filosófica e judaica, dominava vários idiomas e transitava com
facilidade pelo mundo cosmopolita de sua época. Ele compreendia o seu
contexto e usou absolutamente todos os recursos que tinha à disposição
para pregar o evangelho. Isso nos faz pensar: o que Paulo faria hoje se
tivesse em mãos um smartphone? Como ele utilizaria ferramentas
como as redes sociais, que nos permitem propagar uma mensagem quase
instantaneamente por todo o globo?
Nós vivemos na era da distração crônica. Temos o acesso ao mundo na
palma da mão, mas frequentemente usamos esse privilégio apenas para o
entretenimento anestesiante ou para debates que não edificam ninguém.
Paulo, por outro lado, enxergava-se como um devedor. Ele entendia que
havia recebido um dom inestimável de Deus e estava ansioso para
compartilhá-lo. Ele sabia que tinha uma mensagem urgente e usava o que
possuía para fazê-la chegar aos gregos e aos bárbaros, aos sábios e aos
ignorantes.
Deus, em sua soberana providência, não nos colocou no primeiro
século. Ele nos plantou aqui e agora, com a tecnologia, as plataformas e
os recursos financeiros que possuímos. Se você tem grandes bênçãos e
meios para se comunicar, isso é um enorme privilégio que exige
responsabilidade. O avanço do Reino e a edificação mútua não acontecem
num vácuo; eles se dão no chão da vida real, através dos meios
ordinários que temos.
A sua vida, o seu trabalho e até mesmo as suas redes sociais devem
ser capturados pelo evangelho. Em vez de apenas rolar o feed
passivamente, use o que você tem em mãos para exercer cuidado pastoral
mútuo: mande uma palavra de consolo a um irmão aflito, não se omita
diante do pecado e faça convites simples para o culto de domingo. O
evangelho continua sendo o poder de Deus para a salvação. Basta
confiarmos nisso e usarmos o que temos à mão para proclamá-lo.


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