Quantas vezes, ao olharmos para o noticiário ou para a timeline das
redes sociais, não somos tentados a perguntar: “Vale a pena ser fiel?”.
Vemos políticos corruptos desfrutando da impunidade, “celebridades” de
reality shows sendo alçadas ao posto de modelos de vida e
influenciadores lucrando milhões enquanto promovem valores que desprezam
a Lei de Deus. Aos olhos humanos, o mundo parece um grande banquete onde
os ímpios se fartam, riem e prosperam. Enquanto isso, o cristão fiel
muitas vezes luta para pagar as contas, enfrenta crises conjugais e lida
com o anonimato de uma vida de obediência.
O capítulo 5 de Daniel nos oferece um remédio amargo, porém curativo,
para essa nossa inveja latente. Vemos ali o rei Belsazar. Um monarca
fraco, vivendo à sombra das conquistas de seu antecessor, Nabucodonosor,
e tentando desesperadamente manter as aparências. Enquanto os exércitos
medo-persas cercavam a cidade, Belsazar não preparava defesas; ele dava
uma festa.
O banquete de Belsazar era, na linguagem de hoje, fake news.
Era pura ostentação de poder para mascarar a fragilidade de um império
que estava com os dias contados. Em sua arrogância, ele mandou trazer os
utensílios sagrados do Templo de Jerusalém para beber neles, zombando do
Deus de Israel, como quem diz: “O meu prazer está acima do vosso Deus”.
Mas a resposta divina não tardou. A mão misteriosa escreveu na parede a
sentença que ecoa até hoje: Mene, Mene, Tequel, Parsim.
Contado, contado, pesado, dividido.
Aqui está a lição que precisamos gravar em nossos corações: não se
deixem enganar pela “pompa” da Babilônia atual. Aquilo que o mundo chama
de sucesso — a fama, o poder sem escrúpulos, a riqueza sem temor a Deus
— foi pesado na balança do Senhor e achado em falta. Naquela mesma
noite, a festa acabou e Belsazar perdeu a vida. O juízo de Deus é real,
histórico e inevitável.
Se formos honestos, porém, o texto não serve apenas para condenar os
“Belsazares” lá fora. A balança de Deus pesa a todos nós. Se fôssemos
julgados por nossa própria retidão, por nossos pensamentos ocultos e
nosso orgulho, também seríamos achados em falta. Todos nós somos, por
natureza, reprovados.
A nossa única esperança não reside em sermos melhores que o mundo,
mas em olharmos para o verdadeiro Rei. Diferente de Belsazar, que
exaltou a si mesmo, Jesus Cristo se humilhou. Ele foi pesado na balança
da justiça divina na cruz e, ali, tomou sobre si o peso da nossa
condenação. Ele foi “dividido” e moído por nossas iniquidades para que
pudéssemos ser contados entre os filhos de Deus.
Portanto, não inveje o banquete dos ímpios; o fim deles é a ruína.
Alegre-se, antes, por ter um lugar à mesa no Reino que jamais terá fim.
Vale a pena servir a Deus, não porque Ele nos promete a glória da
Babilônia aqui e agora, mas porque Ele nos livrou do juízo vindouro e
nos deu uma herança eterna.


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